Convite às Aldeias: Crie sua própria Unidade Produtora de Cauim Contemporâneo Tupinista


Após anos de estudos tupinistas sobre o cauim, conseguimos desenvolver uma nova dinâmica para o serviço de cauim que pode beneficiar as aldeias dentro de sua própria cultura. Embora o cauim Tiakau tenha se originado na região de Inhapuambucu, cada aldeia e grupo étnico pode incorporar seu próprio DNA, com seus próprios pratos, cauim em variações de acordo com os gostos locais e narrativas em seus próprios idiomas. 

Convidamos as aldeias indígenas que desejam participar a sediar uma unidade de produção de cauim contemporânea em suas próprias terras. A ideia é simples, porém poderosa: criar um espaço onde a cultura material ancestral se entrelaça com a hospitalidade, proporcionando aos visitantes uma imersão completa na tradição e história de cada povo.

Assim como nas pequenas cidades francesas, os visitantes têm a oportunidade de saborear pratos típicos, harmonizados com cauins específicos do grupo étnico, ouvindo termos em seus idiomas nativos, em uma imersão cultural completa.

Essas unidades poderão contar com instalações para acolher turistas, compartilhar a história da etnia, apresentar pratos típicos e utilizar o cauim contemporâneo como instrumento para entabular o diálogo cultural. É importante destacar que o cauim contemporâneo não substitui nem invade o espaço do cauim ritualístico, que permanece sagrado e parte de uma tradição espiritual imaterial que respeitamos profundamente.

Uma cultura que nasce aos poucos – uma das coisas mais belas é o quanto a natureza contribui, mesmo que não tenhamos a intenção de criar coisas curiosas e belas – observamos que, ao colocar cauim dentro de uma garrafa de cerâmica Marajoara de Icoaraci, surge uma bela formação de cristais esbranquiçados que se espalha majestosamente pela lateral da garrafa.

Ao tornar-se optante, a aldeia receberá todo o know-how técnico da equipe do Cauim Tiakau para montar sua unidade de produção. Não oferecemos apoio financeiro direto, pois a marca ainda está em fase inicial e também busca recursos para promover essa nova categoria de bebida no mercado. Entretanto, colocamos à disposição nosso conhecimento, dedicação e rede de apoio para viabilizar juntos essa iniciativa.

A tecnologia Tupi, combinada com a arte japonesa de trabalhar madeira, nos presenteou com esta belíssima prensa de peso com dois tipitis trançados, conforme a tradição amazônica.

O modelo de produção é simples e acessível: uma dorna de fermentação de no mínimo 100 litros, uma panela de cocção adequada para bebidas fermentadas e um sistema de resfriamento (chiller). O custo médio é de pouco mais de R$ 50.000 – um investimento que pode ser parcialmente revertido com a venda de garrafas de cauim produzidas em cerâmica artesanal local, dentro de uma lógica de lixo zero e baixa emissão ambiental, que ainda pode gerar créditos de carbono.

Sala de koji, onde as pérolas de mandioca são inoculadas com cepas de Aspergillus oryzae especialmente modificadas para quebrar o amido da mandioca em açúcares fermentáveis.

Este projeto não visa transformar um símbolo espiritual em simples mercadoria. Pelo contrário: acreditamos que o cauim pode se tornar um símbolo de resistência cultural e de geração de renda, respeitando os saberes ancestrais e valorizando o que é próprio e sagrado de cada povo. Muitas aldeias hoje sofrem com a perda de áreas de caça, a poluição dos rios, a grilagem e a presença de madeireiros ilegais. E em algumas, a venda de um simples artesanato é tudo o que garante a próxima refeição.

O Sistema Agroflorestal Nipo-Tupi: quando a floresta é a própria lavoura

O sistema agroflorestal produz alimentos sem destruir a floresta, combinando árvores, culturas agrícolas e biodiversidade no mesmo espaço. Entre seus benefícios estão a proteção do solo, a retenção de água, a redução de pragas, o aumento da fertilidade natural e a maior resistência às mudanças climáticas.

A união da cultura japonesa com a cultura indígena vai muito além da apropriação dos métodos de preparo do cauim à base de saquê; o sistema agroflorestal desenvolvido pela comunidade japonesa em Tome Açu foi seminal para todo esse trabalho bicultural.

No Brasil, um dos exemplos mais famosos surgiu em Tomé-Açu, no Pará, onde imigrantes japoneses desenvolveram sistemas agroflorestais inspirados tanto em seus conhecimentos agrícolas quanto na observação das práticas tradicionais dos povos indígenas amazônicos. Dessa fusão nasceu um modelo produtivo que une alta produtividade, conservação ambiental e respeito aos ciclos da natureza.

Mais do que uma técnica agrícola, a agrofloresta de Tomé-Açu representa um encontro histórico entre saberes indígenas brasileiros e japoneses — uma verdadeira expressão do ideal nipo-tupi.

O Surgimento de Uma nova Etapa Cultural

Sim, estamos testemunhando o surgimento de uma nova fase de nossa civilização — um movimento que desponta de forma espontânea, com profundo respeito às tradições e a colaboração ativa das etnias optantes. É como adentrar, ainda com a água nos joelhos, um vasto e promissor oceano cultural, repleto de belezas e oportunidades que apenas começamos a descobrir.

Ao longo desse trabalho ainda em fase experimental, muitas vezes ficamos surpresos e admirados com o que nos surge, como novas expressões culturais espontâneas e novas peças simbólicas.

O altar Tupi, onde cada um dos trabalhadores começa o seu dia com orações e colocando seus maracás e oferendas à deusa Mani.

Nesses últimos 20 anos observamos a formação de 'cristais de cauim' que se formam do lado de fora das garrafas de cerâmica, uma peça nova foi criada a partir de um tipiti com galhos de pitanga, uma peça prática que tem o propósito de indicar o grau de amadurecimento do cauim produzido, carinhosamente chamado por um descendente dos Potiguara de Tykueryru, o mesmo o Tembi Tarara, um estandarte com a representação dos oito passos do processo de produção em Tupi Antigo*. 

A esquerda o Tembi tarara, estandarte do cauim com nichos, representando os sete (ou oito) passos para a produção do Cauim no processo tradicional, e o Tykueryru pendurado na frente de uma Kaûĩ apoha (fabrica de Cauim) para avisar o grau de matiridade da bebida. - No sentido horario temos : 1 - Aîpi Kytĩ-ana (descascar a mandioca) , 2 - Ungûá pupé o-îo sok (pilar e ralar a mandioca) , 3 - Tepiti pupé a’e t-y amĩ-î (passar no tipiti) , 4 Mopopur (ferver) , 5 - Aîpi o- su'u su’u I nomu (mastigar e cuspir) , 6 - Haguino (fermentação) , 7 - Mboaruru & Kaura (filtração e clarificação) e 8 - Tîaka-une (vamos beber).

O cauim contemporâneo pode representar um futuro próspero e possível, no qual tradição e inovação caminham lado a lado. Se a sua aldeia quiser abraçar esse caminho, estamos prontos para caminhar juntos.

Quem sabe o próximo item na cultura emergente pode vir de sua iniciativa?

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*Escolhemos adotar o Tupi Antigo como idioma base do processo de produção de cauim por encontrarmos estes nos texto antigos de Lery, Stadem e Anchieta, bem como por ser a língua indígena mais falada antes da proibição do Marquês de Pombal e por ainda estar presente em diversas toponímias e identidades culturais do Brasil. 

Cada etnia optante, no entanto, é livre para traduzir e adaptar esse processo ao seu próprio idioma e contexto. 



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